quarta-feira, 25 de abril de 2012

Desespero III: Sonhos Ignorados



Ela nunca teve um objetivo concreto na vida, nunca teve algo pelo que batalhar. Quando ela o conheceu, algo mudou. Conquistar a amizade daquele rapaz era seu objetivo, e quando ela o concretizou, lutava para manter esta amizade. Ela estava disposta a qualquer sacrifício para ser amiga dele para sempre. Ele tinha um sonho de estudar Filosofia na Universidade de Paris, e sempre falava disto para ela. Ela tomou os sonhos do rapaz para si.
Com o tempo, ele parou de falar de seus sonhos. Parou também de falar sobre seu dia, seus problemas. Já não perguntava a ela como estava, e não prestava atenção ao que ela dizia. Estava distante, pensando em outras coisas, coisas que não queria falar.
Ela achava estranho, apesar de não dizer nada. Ele estava escondendo algo dela, e sempre escondeu. Não teria como alguém ficar daquele jeito do dia para a noite.
Ela ignorou a possibilidade dele ter problemas para resolver, e focou no medo de que a amizade dos dois já não era como costumava ser. Ela decidiu que faria algo para reconquistar a confiança dele, mesmo que jamais desse motivos para que ele a perdesse. Ela se esforçou para ter as melhores notas, buscou recomendações, conselhos e recursos. Ela fez tudo o que estava ao seu alcance para conquistar uma vaga na tão sonhada Universidade de Paris.
Finalmente, ela tinha os papeis em mãos, tudo certo. Ela estava feliz, radiante, cega.
Acreditando firmemente que com isto ele pudesse se abrir e contar seus segredos, ela correu até a casa de seu querido amigo. Ao dobrar a esquina, ela viu uma moça sair de lá, e ele acenando do portão com um sorriso sereno, como aquele que ela já não via mais a muito tempo. Ela sorriu, apressou os passos e foi em direção a ele. "Ora, era só uma garota! Era isto que ele escondia de mim? Ele não precisava esconder uma garota!"
Ela repetia inúmeras vezes as mesmas coisas dentro da mente, enquanto sorria. Ela se aproximou dele, ignorando o que acabara de acontecer. _Adivinhe só, o seu sonho, o nosso sonho! Eu finalmente consegui! Eu posso realizar nosso sonho!
_É? Que bom...
"O que aconteceu com ele? Bastou olhar para mim e ele perdeu o sorriso outra vez! O que eu fiz?" Ela já não entendia nada.
_Veja! Eu tenho papéis para a sua transferência! Você pode ir para Paris comigo!
_Eu não preciso ir a Paris para estudar Filosofia, já estou estudando aqui mesmo!
_Mas, eu queria que você fosse comigo...
Ele riu. Como se ela tivesse dito algo bobo, como se ela tivesse feito algo anormal. Ele estava zombando dela, e ela não entendia por quê.
_Eu não posso ir com você! Eu tenho uma noiva agora, posso construir novos sonhos. Este de ir para Paris me deixaria muito longe dela.
Ela então se sentiu vazia. Uma noiva, e ela nunca soube. Ele tinha uma namorada e nunca contou para ela. No final, apenas ela vivia seus sonhos, apenas ela vivia uma amizade. Tudo o que ele tinha por ela era pena, compaixão.
De nada mais adiantava ir para a Europa, de nada adiantava discutir com ele. Ela não podia mais andar, e não precisava, pois não tinha ninguém. Ela tomou uma forte decisão: Nunca mais aceitaria gentileza de ninguém, nunca mais confiaria no ser humano.
Ela decidiu morrer, mesmo que seu corpo continuasse vivo!

----------FIM----------

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Um comentário:

  1. Legal,esse lance da noiva omitida e tals, isso crio um "up" no conto, o final q achei vago, poderia ser melhor......

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