segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Brilho de uma Estrela


No centro de certa cidade, era localizada uma grande igreja com muitos membros. No meio de tantas pessoas, eram poucos que se destacavam, mas especialmente o grande grupo de jovens daquele lugar. Mesmo dentro deste grupo, era difícil encontrar alguém que se destacasse.
Dentre muitas pessoas, era de se surpreender que não houvesse muitos grupinhos isolados. Na verdade, só alguns novos membros ficavam um pouco longe por vergonha, mas logo se enturmavam e tornavam-se parte do grupo maior. Logo que alguém novo chegava, tornava-se celebridade no grupo, mas logo se misturava, e era mais um.
As coisas aconteciam sem muitas mudanças, sendo que os grandes destaques da igreja eram o pastor, os músicos, os dançarinos e o pregador do grupo dos jovens. Era sempre assim, até ela aparecer.

Um senhor chegou diante do pregador dos jovens acompanhado de uma moça de jeito sério. Ele disse que a jovem era sua sobrinha e que gostaria de entrar para o grupo. Ela foi aceita de imediato, claro. Mas diferente dos outros que chegavam e logo se misturavam, ela procurava manter distância. Seu nome era Sophia, de vinte e três anos. Usava roupas pretas e pesadas, mantinha seu cabelo liso cobrindo os olhos e não gostava de sorrir.
Sophia não gostava de falar sobre sua vida, não gostava de fazer amizades e não entrava para nenhum projeto. No entanto, bastava pedirem para que ela fizesse algo, que ela estava à disposição. Mesmo parecendo triste o tempo todo, Sophia não deixava de ajudar no que pudesse.
Mesmo depois de um ano vivendo naquela cidade e fazendo parte daquele grupo de jovens, Sophia ainda era diferente para as pessoas do lugar. Durante aquele ano que se passou, muitas coisas mudaram. Pessoas vinham, pessoas iam, e aquele grupo diminuiu consideravelmente. Com a diminuição do grupo os membros ficaram mais unidos, e insistiam em trazer Sophia para perto deles. Acabaram por se acostumar que o jeito sério dela era normal, e desistiram de perguntar sobre sua vida.
Para ela estava bom assim, ela tinha medo de se aproximar dos outros, e quando tentavam acabava por ser rude. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Diario de Alissya IV


Julho, 20 – 2011

Querido Diário, mais uma vez chegou o meu aniversário, e amanhã fará um ano que eu comecei a procurar pela minha família. Eu já esqueci de todos os erros que meu pai cometeu, só quero que ele se esqueça dos meus também. Eu finalmente pude ver minha mãe, pois o Pastor Antônio me deu o dinheiro para ir lá como presente. Ela está terrível, mal consegue reconhecer minha voz. Ou talvez não queira reconhecer, eu não sei direito. Ela desapareceu um ano atrás de casa, sem me levar, sem se preocupar comigo. Eu não sei o que ela sente por dentro, não sei se tem ódio de mim ou do meu pai. Eu quero fazê-la voltar a ser a mãe maravilhosa que costumava ser. Meu dia foi cansativo no final das contas, e depois de viajar eu estou de volta ao meu quarto nos fundos da igreja.

Dezembro, 03 – 2011
Querido diário, esta será minha despedida. Hoje um homem entrou chorando na igreja, se ajoelhou perto da cadeira do pastor e ficou imóvel por muito tempo. Ele estava com as roupas rasgadas e sujas, e parecia estar com fome. Eu já passei por isso e sei como é doloroso, então fui até a cozinha e preparei um prato de comida para ele. Quando eu me aproximei para lhe oferecer a comida, pude ouvir sua voz. Uma voz grossa e triste, e incrivelmente familiar. Eu ofereci a ele o prato de comida, e ele recusou dizendo que não merecia. Eu toquei seus ombros e disse “Eu te procurei por tanto tempo, e você prefere morrer de fome na minha frente?”
Sim, diário, era meu pai. Ele me abraçou bem forte e chorando me pedia desculpas sem cessar. Mas eu não tinha o que desculpar, pois já havia deixado para trás todas as minhas mágoas. Eu também pedi perdão a ele, e pude enfim sentir meu coração tranqüilo. Depois que ele comeu, eu contei a ele sobre minha mãe, e ele disse que iríamos para a clínica juntos todos os dias para vê-la. Sinto muito por te abandonar neste momento da minha vida, diário. Mas eu decidi que vou guardar minhas histórias para minha família e para Deus. Nós vamos reconstruir nossas vidas juntos. Eu não preciso mais ficar sozinha!

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Diário de Alissya III


Fevereiro, 03 – 2011

Querido diário, como senti falta de escrever. Algo bom aconteceu comigo nestes últimos dias, eu acabei desmaiando de fome em frente a um prédio. Quando eu acordei, estava em um quarto descansando em uma cama macia. Eu nem lembrava mais de como era a sensação de dormir em algo confortável.
Eu me levantei e olhei para o lado, havia um frigobar com um recado pregado na porta. “Tem frutas e pão aqui dentro, por favor coma o quanto quiser.”
Eu não pensei duas vezes, quase como que em um único passo, eu saltei para o frigobar e peguei o pão para comer. Havia suco, creme, frutas e carne também. Eu comi tudo o que pude desesperadamente. Quando terminei pensei na possibilidade de que pudessem chamar a assistente social para me buscar. Fiquei com medo e saí daquele quarto com a intenção de fugir. Procurei pelos meus cadernos, mas eles não estavam lá. Fizeram do meu passado um refém, e eu não poderia fugir. Me perguntei o que fariam se lessem toda a minha história, e comecei a andar pelo lugar procurando por eles.
Passei por uma porta que dava para um grande salão. Haviam muitas cadeiras lá, todas viradas para um lugar, onde tinha outra cadeira virada para as demais. Eu me perguntei o que acontecia naquele lugar, mas com certeza havia alguém que falava algo para outras pessoas. Seriam histórias que tinham acontecido com eles? Talvez aqui fosse um daqueles lugares em que as pessoas contam seus problemas para quem sofre do mesmo problema.
Enquanto explorava o lugar, ouvi passos atrás de mim, e uma moça apareceu com um sorriso suave no rosto. Ela me perguntou se eu havia comido e eu respondi que sim com a cabeça. Ela me levou até um escritório onde havia um homem sentado em uma poltrona e meus cadernos na escrivaninha. Ele leu cada um dos meus cadernos, cada um dos meus dias. Ele viu todo o meu passado, minha história. Ele disse que eu poderia ficar tranqüila pois ele não chamaria a polícia ou a assistente social. Ele deixou que eu ficasse neste quarto por um tempo, me deu algumas roupas usadas e só pediu que eu o ouvisse em troca.
Diário, eu nunca pensei nisso, mas ele me disse que a única coisa que faltava na minha vida era Deus. Se eu tivesse confiado em Deus no início, antes de tudo acontecer, meu pai teria terminado o relacionamento com a secretária e nós ainda seríamos uma família feliz. Foi o que eu deduzi, com as palavras dele.
Eu vou ficar um tempo aqui, até aprender mais. Depois vou me esforçar para encontrar meu pai novamente. Desta vez, eu irei confiando em Deus, por isso tenho certeza que o encontrarei!


ESTA HISTÓRIA AINDA NÃO ACABOU! AGUARDE PELA PRÓXIMA CONTINUAÇÃO!