sábado, 21 de abril de 2012

Nada

Ela abriu os olhos naquela manhã, escutou o som da chuva e decidiu não se levantar. Elas ouvia os sons de fora, sabia que o dia já havia começado e a vida estava acontecendo, mas ainda assim seu corpo não se levantava. Não que ela estivesse doente, não que sentisse qualquer dor. Ela só não queria sair daquele lugar, onde estava protegida. 
Ela sentiu medo, enquanto não sentia mais nada. Não entendia porque não se levantava, não entendia porque não sorria. Ela decidiu então, que se não havia motivos para continuar deitada, ela se levantaria e começaria a viver também. Ela deu bom-dia para aqueles que viviam com ela, e aprontou-se para o dia. 
Ela ainda não sentia nada, ela não queria nada. Não queria continuar de pé, não queria voltar a deitar-se, não sabia o que fazer, o que pensar. Apenas ficava parada no meio da sala, olhando para nada, tentando pensar em algo. 
Ela então começou a sentir algo, mas não era algo que combinava com a situação. Ela sentiu dor, daquelas que vem de dentro, do coração. Ela então começou a chorar, e olhou ao redor, vendo que estava só. 
Aqueles que viviam com ela não a viam, simplesmente viviam. Ela estava sozinha, e não tinha com quem falar. Ela também não tinha o que falar, então estava tudo bem. Mas ainda assim, ela não conseguia parar de chorar, e a dor não passava. Ela estava perdida, em meio ao vazio anestésico de um dia de sábado chuvoso.


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